Um freelancer custa tipicamente entre 400€ e 1.500€ por um site institucional em Portugal. Uma agência cobra entre 600€ e 6.000€ pelo mesmo tipo de projeto. A diferença de preço é a parte fácil de comparar, e é também a menos importante. O que separa as duas opções é o que acontece quando alguém adoece, quando o site avaria a um domingo, e quem fica com o trabalho se a relação terminar.
Escrevemos isto como agência, o que nos dá um conflito de interesses óbvio. Por isso este artigo diz também, com clareza, quando um freelancer é a escolha certa e nós não somos. Para faixas de preço detalhadas, veja quanto custa criar um site em Portugal.
Resumo rápido
- Freelancer: 400€ – 1.500€, 2 a 4 semanas
- Agência: 600€ – 6.000€, 3 a 8 semanas
- Fazer sozinho: 120€ – 360€ por ano, 4 a 12 semanas do seu tempo
- Risco principal do freelancer: uma pessoa, um ponto de falha
- Risco principal da agência: pagar por estrutura que o seu projeto não usa
- Obrigação legal esquecida: acima de 50% da faturação anual do prestador, torna-se entidade contratante
A diferença real não está no preço, está no que corre mal
Quando um projeto corre bem do início ao fim, freelancer e agência entregam resultados parecidos por preços diferentes. O freelancer sai mais barato e a decisão parece óbvia.
A comparação só fica honesta quando se pergunta o que acontece nos casos maus, que são mais frequentes do que qualquer proposta comercial admite:
| Situação | Freelancer | Agência |
|---|---|---|
| Fica doente a meio do projeto | O projeto para | Outra pessoa continua |
| O site vai abaixo ao domingo | Depende da boa vontade | Depende do contrato |
| Precisa de design e de código | Normalmente forte num, fraco noutro | Pessoas diferentes para cada |
| Muda de atividade a meio | Fica sem fornecedor | A empresa continua |
| Discorda do resultado | Conversa pessoal | Processo definido |
| Quer alterações dois anos depois | Pode já não estar disponível | Historial guardado |
Nenhuma destas linhas diz que a agência é melhor. Dizem que está a comprar coisas diferentes. Com o freelancer compra trabalho. Com a agência compra trabalho mais continuidade, e a continuidade tem um preço que aparece na fatura mesmo nos meses em que não precisa dela.
A obrigação legal que quase ninguém menciona
Este ponto não aparece em nenhum artigo português que encontrámos sobre o tema, e afeta diretamente empresas que trabalham com o mesmo freelancer de forma continuada.
Se a sua empresa representar mais de 50% do valor total da atividade de um trabalhador independente num ano civil, passa a ser considerada entidade contratante para a Segurança Social. Isso implica uma contribuição sua, calculada sobre os serviços prestados:
| Peso da sua empresa na faturação anual do prestador | Taxa a seu cargo |
|---|---|
| Acima de 50% e até 80% | 7% |
| Acima de 80% | 10% |
O limiar era de 80% até ao Decreto-Lei n.º 2/2018, que o baixou para 50%. Muita gente ainda trabalha com o número antigo.
Um site pontual de 800€ não aciona nada, porque nunca chegará perto de metade da faturação anual de um profissional a tempo inteiro. O risco aparece quando contrata um freelancer em part-time contínuo, ou quando trabalha com alguém em início de atividade para quem a sua empresa é, de facto, o cliente principal. Nesse caso pergunte antes de assinar, porque a conta chega depois.
Quando um freelancer é a escolha certa
Somos uma agência e mesmo assim recomendamos um freelancer nestes casos, porque contratar-nos seria pagar por estrutura que não vai usar:
- O projeto tem âmbito pequeno e bem definido, por exemplo uma landing page ou uma remodelação visual sem alterar funcionalidade
- Já tem os conteúdos escritos, as fotografias tratadas e sabe exatamente o que quer
- Tem dentro da empresa alguém tecnicamente competente para acompanhar o trabalho
- O orçamento é o fator decisivo e a continuidade a longo prazo não é preocupação
- Precisa de uma competência única e muito específica, e encontrou quem a domina
Nestes cenários um bom freelancer entrega o mesmo resultado por menos dinheiro e frequentemente mais depressa, porque não há camadas de gestão entre a decisão e a execução.
Não tem a certeza em que caso se enquadra? Dizemos-lhe com franqueza, mesmo quando a resposta não somos nós.
Falar connoscoQuando uma agência compensa o preço mais alto
- O site tem de gerar receita, e não apenas existir, o que exige design, texto e SEO a trabalhar em conjunto
- Precisa de integrações reais: pagamentos, faturação certificada, reservas, stock
- Não tem tempo nem competência interna para gerir o fornecedor
- A continuidade importa, porque o site é um canal de vendas e não uma montra
- Quer alguém contratualmente responsável quando algo falha
A diferença mais concreta está nas competências em simultâneo. Um site que vende precisa de design, código, texto e SEO. Encontrar uma pessoa forte nas quatro é raro e cara. Encontrar uma pessoa que se diz forte nas quatro é fácil e é onde a maioria dos projetos falha.
O risco de continuidade, medido a três anos
Um site não termina no lançamento. Ao fim de três anos vai precisar de atualizações, correções e alterações de conteúdo. A pergunta que importa é quem estará lá.
É a origem do problema mais caro que vemos: uma empresa contacta-nos porque o site parou, quem o fez mudou de vida, ninguém tem os acessos, e a única saída é reconstruir. O custo de reconstruir ultrapassa quase sempre o que teria custado a diferença entre as duas opções no início.
Isto mitiga-se por contrato, e não por confiança:
- O domínio registado em nome da sua empresa, e não do fornecedor
- Acessos ao alojamento e ao painel do site entregues a si por escrito
- Propriedade do código e do design transferida na entrega final
- Documentação mínima: que plugins usa, que licenças existem e em nome de quem
- Uma cláusula que diz o que acontece aos acessos se a relação terminar
Um freelancer sério aceita estes cinco pontos sem hesitar. Uma agência séria também. Quem hesita está a dizer-lhe algo importante sobre o que acontece a seguir.
Oito perguntas que revelam mais do que o orçamento
- Quem executa concretamente o trabalho, e quem é o meu ponto de contacto
- O que acontece se essa pessoa ficar indisponível a meio do projeto
- Em nome de quem ficam o domínio, o alojamento e as licenças
- O que está incluído depois do lançamento, e por quanto tempo
- Quantas rondas de alterações estão previstas antes de haver custo adicional
- Quem escreve os textos, e se isso está no preço
- Que acontece se eu quiser mudar de fornecedor daqui a um ano
- Pode mostrar-me dois sites feitos há mais de dois anos que ainda estejam no ar
A última é a mais reveladora e quase ninguém a faz. Portfólios mostram lançamentos. Sites que continuam de pé e atualizados dois anos depois mostram outra coisa.
A terceira opção que raramente é proposta
A escolha é apresentada como binária e não tem de ser. Um modelo que funciona bem para empresas com orçamento limitado mas necessidades reais: contratar a construção a quem for mais competitivo, e contratar a manutenção separadamente a quem der garantias de continuidade.
Isto só funciona se a construção respeitar os cinco pontos contratuais acima. Um site entregue com acessos completos e sem dependências proprietárias pode ser mantido por qualquer profissional competente. Um site entregue sem isso prende-o a quem o construiu, que é precisamente o resultado que a poupança inicial pretendia evitar.
Perdemos propostas para freelancers e, numa parte dos casos, foi a decisão certa do cliente. Os projetos que acabam mal não são os que escolheram o mais barato. São os que não perguntaram em nome de quem ficava o domínio.
Darlington Vincent, Fundador da DVCodeWeb
Quer uma opinião honesta sobre o seu caso?
Diga-nos o âmbito, o prazo e o orçamento. Se o seu projeto for melhor servido por um freelancer, dizemos isso, e explicamos o que deve exigir no contrato.
Ver como trabalhamosPerguntas frequentes
É mais barato contratar um freelancer ou uma agência em Portugal?
Um freelancer é mais barato à cabeça: tipicamente 400€ a 1.500€ para um site institucional, contra 600€ a 6.000€ numa agência. A diferença não está apenas no preço mas no que compra. Com o freelancer compra trabalho; com a agência compra trabalho mais continuidade e responsabilidade contratual. Para projetos pequenos e bem definidos, o freelancer costuma ser a escolha racional.
Que riscos existem em contratar um freelancer para o meu site?
O principal é ser um único ponto de falha: se ficar doente, mudar de atividade ou deixar de estar disponível, o projeto para e pode ficar sem quem conheça o site. Mitiga-se por contrato: domínio em nome da sua empresa, acessos entregues por escrito, propriedade do código transferida na entrega, e documentação das licenças usadas.
Tenho obrigações de Segurança Social ao contratar um freelancer?
Pode ter. Se a sua empresa representar mais de 50% do valor total da atividade de um trabalhador independente num ano civil, passa a ser entidade contratante e paga uma contribuição de 7%. Acima de 80% de dependência económica, a taxa sobe para 10%. O limiar era 80% até ao Decreto-Lei n.º 2/2018, que o baixou para 50%. Um projeto pontual não aciona isto; uma colaboração contínua pode acionar.
Como sei se uma agência vale o preço mais alto?
Vale quando precisa de competências em simultâneo, design, código, texto e SEO, quando precisa de integrações reais como pagamentos ou faturação certificada, ou quando quer alguém contratualmente responsável se algo falhar. Não vale se o âmbito for pequeno, já tiver os conteúdos prontos e souber exatamente o que quer.
Posso contratar a construção a um freelancer e a manutenção a uma agência?
Sim, e é um modelo sensato para orçamentos limitados. Só funciona se a construção for entregue com acessos completos, propriedade do código transferida e sem dependências proprietárias. Um site entregue nessas condições pode ser mantido por qualquer profissional competente.
Que pergunta devo sempre fazer antes de assinar?
Peça para ver dois sites feitos há mais de dois anos que ainda estejam no ar e atualizados. Portfólios mostram lançamentos, que é o momento em que qualquer site está bonito. Sites que continuam de pé anos depois mostram se o trabalho foi construído para durar e se a relação com o cliente se manteve.
Em nome de quem deve ficar o domínio?
Da sua empresa, sempre. É o único ativo digital que não consegue recriar se a relação com o fornecedor terminar mal. Verificar o titular registado é gratuito. Se estiver em nome do fornecedor, peça a transferência por escrito enquanto a relação é boa, e não quando já houver desacordo.
Continuar a ler
- Quanto custa criar um site em Portugal, com faixas por tipo de projeto
- Quanto custa manter um site por ano, incluindo licenças e propriedade
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Fontes
- Regime de entidades contratantes, limiares de 50% e 80% e taxas de 7% e 10%: Instituto da Segurança Social, Guia Prático Entidades Contratantes.
- Alteração do limiar de 80% para 50%: Decreto-Lei n.º 2/2018, disponível no Diário da República.
- Obrigações de trabalhadores independentes e entidades contratantes: gov.pt.
- Faixas de preço praticadas: dados internos da DVCodeWeb, mais de 50 projetos entregues a empresas e freelancers em Portugal.