Um site para clínica ou consultório dentário em Portugal custa entre 900€ e 2.800€. A diferença face a um site institucional comum não está no design: está em duas exigências que a maioria dos sites de saúde portugueses não cumpre. O site é publicidade em saúde aos olhos do regulador, e qualquer marcação online trata dados de categoria especial no RGPD.
Este artigo explica as duas, e o que colocar no site para as cumprir. Para faixas de preço gerais, veja quanto custa criar um site em Portugal.
Resumo rápido
- Site institucional de clínica: 900€ – 1.800€
- Com marcações online: 1.500€ – 2.800€
- Registo na ERS: obrigatório para prestadores de cuidados de saúde
- Dados de saúde: categoria especial, artigo 9.º do RGPD
- Publicidade: exige identificação e número de registo
- Custos anuais: 200€ – 500€
O seu site é publicidade em saúde
Esta é a parte que apanha as clínicas de surpresa. Um site que descreve tratamentos e convida a marcar consulta é uma mensagem publicitária de serviços de saúde, e está sujeito às regras da Entidade Reguladora da Saúde.
Duas consequências práticas. Primeiro, para publicitar serviços de saúde o estabelecimento tem de estar registado na ERS e licenciado para as tipologias em causa. O registo é obrigatório para todos os estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde em Portugal continental, sejam fixos, móveis ou de telemedicina, e independentemente de serem públicos, privados, cooperativos ou sociais.
Segundo, a mensagem publicitária tem de identificar quem promove os cuidados. Na prática, estes elementos devem estar acessíveis no site:
- Nome do estabelecimento e da entidade responsável
- Número de registo na ERS
- Licença de funcionamento, quando aplicável
- Cédula profissional dos profissionais identificados, quando aplicável
Rodapé e página “Sobre” são os locais naturais. É informação que demora minutos a acrescentar e que a esmagadora maioria dos sites de clínicas portuguesas simplesmente não tem.
O que não pode escrever
As regras de publicidade em saúde limitam a linguagem, e é aqui que os textos escritos por quem não conhece o setor criam problemas.
Deve evitar mensagens que apresentem um ato como tendo características distintivas quando essas características são inerentes ao próprio ato. E deve evitar expressões que exaltem de tal forma o serviço que criem uma falsa necessidade de o adquirir.
| Em vez de | Escreva |
|---|---|
| Tratamento indolor e sem riscos | Descrição do procedimento e do acompanhamento |
| Resultados garantidos | O que esperar, e de que depende |
| O melhor da região | Formação da equipa e tecnologia usada |
| Aproveite antes que acabe | Informação sobre preços e disponibilidade |
A coluna da direita não é apenas mais prudente. É também mais convincente para quem está a escolher onde tratar um problema de saúde, porque informa em vez de pressionar.
Fotografias de antes e depois são frequentes em medicina dentária e estética, e são o ponto onde mais vemos conteúdo problemático. Além das regras de publicidade, cada fotografia de um doente é um dado de saúde, o que exige consentimento explícito e documentado dessa pessoa para aquela utilização concreta. Um consentimento verbal não chega, e um consentimento para o processo clínico não abrange a publicação no site.
Dados de saúde são categoria especial
O artigo 9.º do RGPD trata dados relativos à saúde como categoria especial, com proteção reforçada. O tratamento é proibido em regra, salvo se se aplicar uma exceção, sendo a mais comum neste contexto o consentimento explícito do titular.
Isto tem um efeito direto no site, e o problema começa antes do que a maioria pensa. Não é preciso guardar uma ficha clínica para tratar dados de saúde. Basta um formulário onde alguém escreve o motivo da consulta.
| Elemento do site | Trata dados de saúde? |
|---|---|
| Formulário com campo “motivo da consulta” | Sim |
| Marcação com escolha de especialidade | Sim, na prática revela informação clínica |
| Formulário só com nome, email e telefone | Não |
| Chat onde o utente descreve sintomas | Sim |
| Fotografias de doentes | Sim |
Repare na segunda linha, que é a menos óbvia. Um formulário que pede para escolher entre “implantologia” e “ortodontia” está a recolher informação sobre o estado de saúde de quem preenche, mesmo sem qualquer campo de texto livre.
Tem um formulário de marcações no site? Verificamos se está a tratar dados de saúde sem saber.
Pedir verificaçãoComo construir marcações online em segurança
- Recolha o mínimo. Nome, contacto e preferência de horário chegam para marcar. O motivo clínico discute-se ao telefone ou na consulta.
- Se recolher informação clínica, inclua consentimento explícito, com caixa não pré-marcada e texto que diga o que é recolhido, para quê e por quanto tempo.
- Garanta que o formulário só envia por ligação segura, e que os dados não ficam guardados indefinidamente na base de dados do site.
- Se usa uma ferramenta externa de marcações, confirme que existe contrato de subcontratação e que os dados ficam no Espaço Económico Europeu.
- Defina um prazo de conservação e apague o que já não é necessário.
- Limite quem, dentro da clínica, tem acesso às marcações recebidas.
O ponto um resolve sozinho a maior parte do risco. Um formulário que não pergunta pelo motivo da consulta simplesmente não trata dados de categoria especial, e evita toda a complexidade que se segue.
Este artigo descreve o enquadramento geral com base nas fontes oficiais ligadas no fim. Não é aconselhamento jurídico. Uma clínica com telemedicina, com tratamento de dados em larga escala, ou com dúvidas sobre a necessidade de encarregado de proteção de dados deve confirmar o seu caso concreto com apoio especializado.
Quanto custa, por tipo de projeto
| Projeto | Preço | Inclui |
|---|---|---|
| Site institucional | 900€ – 1.800€ | Equipa, especialidades, contactos, elementos da ERS |
| Com marcações online | 1.500€ – 2.800€ | Formulário conforme, consentimento, política de dados |
| Multi-especialidade com páginas por área | 2.000€ – 3.500€ | Uma página por especialidade, otimizada para pesquisa local |
A terceira linha é a que gera mais retorno em clínicas com várias áreas. Uma página por especialidade capta pesquisas diferentes, porque quem procura um ortodontista não pesquisa “clínica dentária” e não encontra uma clínica cuja única página fala de tudo ao mesmo tempo.
Em clínicas, o erro mais comum não é técnico nem legal. É ter uma única página a listar vinte tratamentos. Quem procura ajuda pesquisa pelo problema que tem, e uma página que fala de tudo não responde especificamente a ninguém.
Darlington Vincent, Fundador da DVCodeWeb
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Ver criação de sitesPerguntas frequentes
Quanto custa um site para clínica ou dentista em Portugal?
Entre 900€ e 1.800€ para um site institucional, 1.500€ a 2.800€ com marcações online conformes, e 2.000€ a 3.500€ para uma clínica multi-especialidade com uma página por área. Aos custos de construção acrescem 200€ a 500€ por ano de domínio, alojamento e manutenção.
O site da minha clínica é considerado publicidade?
Sim. Um site que descreve tratamentos e convida a marcar consulta é uma mensagem publicitária de serviços de saúde e está sujeito às regras da Entidade Reguladora da Saúde. Para publicitar, o estabelecimento tem de estar registado na ERS e licenciado, e a mensagem deve identificar quem promove os cuidados.
Que informação tenho de mostrar no site?
Os elementos de identificação exigidos na publicidade em saúde: nome do estabelecimento e da entidade responsável, número de registo na ERS, licença de funcionamento quando aplicável, e cédula profissional dos profissionais identificados quando aplicável. Rodapé e página sobre a clínica são os locais naturais.
Um formulário de marcação trata dados de saúde?
Depende do que pergunta. Nome, contacto e preferência de horário não são dados de saúde. Um campo de motivo da consulta, uma escolha de especialidade que revele a condição, ou um chat onde o utente descreve sintomas já são dados de categoria especial ao abrigo do artigo 9.º do RGPD, com proteção reforçada e necessidade de base legal adequada.
Posso publicar fotografias de antes e depois?
Com cuidado acrescido. Cada fotografia de um doente é um dado de saúde, o que exige consentimento explícito e documentado daquela pessoa para aquela utilização concreta. Um consentimento verbal não chega e um consentimento para o processo clínico não abrange a publicação no site. Acrescem as regras de publicidade em saúde sobre não criar expectativas de resultado.
Como reduzo o risco nas marcações online?
Recolha o mínimo. Se o formulário pedir apenas nome, contacto e preferência de horário, e o motivo clínico for discutido ao telefone ou na consulta, o site deixa de tratar dados de categoria especial e evita toda a complexidade associada. Se recolher informação clínica, precisa de consentimento explícito, prazo de conservação definido e acesso limitado.
Vale a pena ter uma página por especialidade?
Sim, e costuma ser o que mais retorno gera numa clínica com várias áreas. Quem procura ajuda pesquisa pelo problema concreto que tem, não pelo nome genérico do setor. Uma única página a listar vinte tratamentos não responde especificamente a nenhuma dessas pesquisas.
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Fontes
- Obrigatoriedade de registo de estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde: Entidade Reguladora da Saúde.
- Regras e elementos obrigatórios da publicidade em saúde: ERS, perguntas frequentes sobre publicidade.
- Dados relativos à saúde como categoria especial: artigo 9.º do Regulamento (UE) 2016/679.
- Faixas de preço de construção: dados internos da DVCodeWeb, mais de 50 projetos entregues em Portugal.